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Título Original

Wicked: For Good

Lançamento

20 de novembro de 2025

Direção

Jon M. Chu

Roteiro

Winnie Holzman e Dana Fox

Elenco

Ariana Grande, Cynthia Erivo, Michelle Yeoh, Jeff Goldblum, Jonathan Bailey, Ethan Slater, Bowen Yang, Marissa Bode, Bronwyn James, Keala Settle, Adam James, Alice Fearn, Bethany Weaver e a voz de Colman Domingo

Duração

137 minutos

Gênero

Nacionalidade

EUA

Produção

Marc Platt e David Stone

Distribuidor

Universal Pictures

Sinopse

Demonizada como a Bruxa Má do Oeste, Elphaba vive no exílio, enquanto Glinda reside na Cidade Esmeralda. Quando uma multidão furiosa se levanta contra a Bruxa Má, ela precisa se unir com Glinda para transformar a si mesma e todo o Oz, para o bem.

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Wicked: Parte 2 | Crítica

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(Este texto trará spoilers de Wicked: Parte 2.)

Quando escrevi sobre a primeira parte de Wicked, há exatamente um ano, comentei que o filme havia funcionado surpreendentemente bem e que, mesmo reconhecendo alguns problemas pontuais de ritmo e estilo, a jornada de Elphaba e Glinda tinha me conquistado o suficiente para me deixar ansioso para conferir, um ano depois, a metade final daquela história. Pois bem: passados 12 meses desde então, o que posso afirmar é que, por um lado, Wicked: Parte 2 de fato oferece um desfecho sólido e convincente para a saga das duas bruxas de O Mágico de Oz, o que é um alívio. Ao mesmo tempo, porém, também comete uma série de pequenos tropeços que, acumulados, resultam em um longa inferior àquele que o antecedeu, o que é uma pena.

Retomando a história pouco tempo após o fim da Parte 1, esta continuação mantém Elphaba e Glinda afastadas por boa parte da projeção graças às circunstâncias que enfrentam – e, assim, não deixa de ser irônico que o “coração” do longa siga na interação entre as duas jovens. Em especial, Cynthia Erivo ganha a oportunidade de compor uma Elphaba mais forte e autoconfiante do que vimos antes, saindo do status de “aluna indefesa e desajustada que sofre bullying na faculdade” (mesmo que seu olhar sofrido continue a projetar uma importante vulnerabilidade) e surgindo imponente e dona de si (inclusive no que diz respeito às suas decisões amorosas e/ou sexuais, o que culmina na melhor piada do filme inteiro e que justifica o título “Wicked” de forma inusitada). Além disso, se em meu texto sobre o anterior comentei que era meio frustrante como estes “filmes de origens de vilões(ãs) clássicos(as)” costumam suavizá-los(as) em vez de assumir e explorar a fundo suas imperfeições morais, esta Parte 2 compensa isso ao trazer Elphaba abraçando a raiva, o ressentimento e até mesmo a impaciência de modo a aproximá-la da intimidadora Bruxa Má do Oeste que vimos em Oz sem sacrificar a complexidade que lhe trouxeram aqui.

Já Glinda, por outro lado, assume o centro das atenções e passa a dominar a maior parte da narrativa (ao contrário da Parte 1, que pendia para o lado de Elphaba). Dito isso, se a performance de Ariana Grande foi o que mais me pegou de surpresa no filme anterior (afinal, eu tinha pouca familiaridade com a carreira prévia da atriz), agora seu timing cômico afiadíssimo e sua capacidade de retratar a energia simultaneamente fútil e insana da personagem já não é mais surpresa. O que, claro, não significa que ela deixe de ser eficaz em suas tentativas de humor: a sequência que mostra uma briga desajeitada entre Glinda e Elphaba, por exemplo, volta a comprovar o talento de Grande para fazer rir (mesmo que a cena em si traga um grave problema de tom que discutirei adiante). Não menos importante, aliás, é a habilidade da atriz ao ilustrar as alterações/contradições de Glinda, transitando entre as ações questionáveis que toma em benefício próprio e o carinho legítimo que mantém por Elphaba, de forma coesa, usando-as para tornar a personagem complexa em vez de inconsistente.

Enquanto isso, esta Parte 2 – a exemplo do que já ocorria no segundo ato da peça original – reforça as ligações com O Mágico de Oz não só ao trazer Dorothy e seus amigos vivendo paralelamente suas já conhecidas aventuras, mas também ao explorar as origens do Espantalho, do Leão Covarde e do Homem de Lata, surpreendendo o espectador ao enriquecer personagens que achava já conhecer por completo. Assim, o roteiro de Winnie Holzman e Dana Fox amarra os detalhes que o conectam a Oz sem parecer um fan-service barato – embora a decisão do diretor Jon M. Chu de evitar mostrar o rosto de Bethany Weaver (que interpreta Dorothy) seja uma besteira, já que, uma vez que sabemos perfeitamente quem é a personagem, o recurso soa mais como distração do que como forma de criar um mistério em torno da aparência da garota.

Além disso, a entrada de Dorothy na trama ocorre de forma tão abrupta que acaba se tornando… estranha – e isso, infelizmente, me leva àquele que é o grande problema desta Parte 2: do início ao fim, todos os eventos que compõem a narrativa são percorridos com uma pressa notória e inexplicável. O curioso é que, se ao escrever sobre a Parte 1 aleguei ter achado o ritmo truncado demais, deixando a progressão dos fatos se desenrolar com uma calma que às vezes passava do ponto, aqui percebo justamente o oposto, já que a montagem de Myron Kerstein passa de uma sequência à outra de maneira incrivelmente corrida, como se quisesse terminar logo uma cena a fim de partir para a próxima o quanto antes.

Esta pressa, aliás, se aplica não apenas à montagem, mas também à própria direção dos atores, já que a maioria das ações, reações e falas que estes têm em cena são entregues de forma tão rápida e “bate-pronto” que acabam soando mecânicas e “ensaiadinhas” demais para parecerem espontâneas. (Até entendo que isso pode fazer sentido em uma linguagem teatral e teria como funcionar caso o filme adotasse uma abordagem mais operática; como não é o caso, porém, não há o que fazer.) O resultado disso, portanto, é que várias sequências mais dramáticas são conduzidas de forma tão corrida e apressada que acaba eliminando o peso, a tensão e/ou o choque que estas passagens deveriam despertar: quando a irmã de Elphaba morre, por exemplo, o impacto de sua perda é nulo e o luto da protagonista, idem – e não ajuda muito o fato de poucos segundos depois a cena se entregar à pura galhofa ao trazer a tal briga engraçadinha entre Elphaba e Glinda, esquecendo-se imediatamente do drama que vinha antes.

O mais decepcionante, porém, é perceber como um filme sobre bruxas, criaturas mágicas e universos fantásticos se revela visualmente tão… chocha, desinteressante, carente de energia ou dinamismo. Chega a ser inacreditável como a fotografia de Alice Brooks, em particular, insiste em diluir a vitalidade do que vemos em tela ao remover as cores de cada composição, sabotando os bons trabalhos dos figurinos e da direção de arte ao mergulhar tudo em uma paleta lavada (às vezes, quase como se as imagens estivessem em estado bruto, sem um tratamento de cor mínimo) que serve só para tirar a vida de sequências que exigiam uma intensidade visual maior. Para piorar, Jon M. Chu (que nunca foi um diretor dos melhores, para começo de conversa) exibe cada vez menos imaginação e/ou entusiasmo em suas escolhas de encenação, seja ao enfocar as conversas (quase sempre resumidas a planos/contraplanos básicos que se tornam aborrecidos na tela grande), seja ao rodar os tão esperados números musicais (não há um instante que chegue perto de “Defying Gravity” e o momento mais dinâmico do filme – envolvendo Elphaba, Glinda e Oz num salão – ainda assim parece tímido demais para fazer jus às suas próprias ambições).

Para completar, Wicked: Parte 2 ainda sofre de uma “síndrome de O Retorno do Rei” ao não decidir qual a melhor maneira de encerrar sua história e, com isso, criar uns cinco/seis finais seguidos em vez de construir uma resolução sólida. A sorte, contudo, é que o último destes desfechos é justamente o melhor, o que leva o espectador a sair do cinema com uma sensação de ter assistido a uma encerramento digno. E arrisco dizer que, de agora em diante, será impossível voltar a ver O Mágico de Oz sem um olhar novo e intrigante sobre a Bruxa Boa do Sul e a Bruxa (Nem Tão) Má do Oeste.

Assista também ao vídeo que gravei sobre o filme:

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